Cinema Europa. E agora?
21 March, 2011 by Luísa Ferreira

Diz quem assistiu ao seu nascimento que foi construído nas “terras do Sabido” e que passou a rivalizar, em modernidade e categoria, com o Paris Cinema.
Pela minha parte, lembro-me do Europa desde que me lembro de mim. Conheci-o por dentro e por fora.
Sentia-me muito bem lá dentro. Gostava muito do seu espaço interior.
Do exterior, nem por isso. Aquele volume de betão parecia-me opressivo e o padrão de decoração das fachadas insuficiente para quebrar a monotonia das grandes paredes cegas. E o ruído… Aquele ruído surdo e constante do arrulhar dos pombos no conforto do enorme ninho em que se transformou.
Embora não gostasse, a verdade é que sinto falta da sua presença forte e garantida. Ao ver o seu esqueleto diminuir de dia para dia, o que sinto é algum vazio, como o vazio que agora habita aquele espaço.
Esta ambivalência demonstra a importância da obra. Terá sido polémica quando apareceu, pela sua diferença; gerou protestos quando estava para acabar, pela sua beleza.
Evolução da estética? Educação do gosto? Apenas hábito?


