Ensitola
28 December, 2010 by Tiago Figueiredo

No outro dia diziam-me “A justiça em Portugal está toda miserável.”. Não concordei. Que havia pessoas sérias em todo o lado e que na Justiça não seria excepção. Mas há um par de histórias que nunca deviam ter acontecido. Esta é uma delas, que começa numa empresa que se portou mal e não respeitou a lei e passou – porque a história não acabou ainda – por um juiz que preferiu proteger o mais forte, apesar de todas as evidências apontarem para a razão do mais fraco.
O episódio mais recente desta demonstração de prepotência empresarial e desrespeito pelo consumidor é este que se transcreve abaixo. Vale muito a pena seguir os links e ler a história toda do início.
É um caso que tem vindo a ser divulgado na net, para que os marketeiros e o juristas da Ensitel resolvam para um bocadinho para pensar se valerá mesmo a pena poupar uns euros em troca de arruinar a imagem no mercado.
Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
EnsitelNo passado dia 22 fui surpreendida, ao receber uma nota de citação pessoal.
Parece que a Ensitel não gosta mesmo nada dos posts que aqui escrevi sobre a minha experiência enquanto cliente deles, e acha que eu não tenho o direito de partilhar, neste meu espaço, aquilo que penso e sinto acerca da empresa.
Posto isto, os senhores, em vez de me telefonarem e perguntarem como é que poderiam resolver o problema, decidiram que era mais eficaz pedirem aos advogados que os representam que me escrevessem, intimando-me a apagar os posts em causa. Não pediram direito de resposta, não perguntaram como é que poderiam resolver o problema, não quiseram, sequer, saber, porque razão é que eu estava chateada com eles, não, decidiram que o que queriam era que eu apagasse os posts. Não apaguei.
Assim sendo, os senhores cumpriram a ameaça, e no dia 22 recebi a tal citação pessoal, que é um documento de 31 página (sim, 31) em que sou intimada pelo tribunal a constituir um advogado, e é um procedimento cautelar.
Basicamente querem que o tribunal me mande apagar os posts que escrevi sobre a Ensitel. Estão ali, linkados na barra da direita do Blog. São 6. Com este 7.
Portanto, a Ensitel não gosta que os clientes expressem livremente a sua opinião. A liberdade de expressão é muito linda e coiso e tal, mas só quando não chateia. Se chateia, já não há liberdade de expressão para ninguém.
Eu não minto nos meus posts sobre a Ensitel. Descrevo a situação, dou os factos, e escrevo o que penso acerca da coisa.
A Ensitel está a precisar de contratar uma empresa de Relações Públicas, mais do que uma sociedade de advogados. Triste é que, passado tanto tempo, ainda não tenham percebido isso.
Para quem tiver pachorra para a novela toda, é seguir os links.
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O verdadeiro grande problema é que se substituirmos o nome ENSITEL por outro qualquer, passado, actual ou futuro, a história não se altera.
Li todos os takes. E pelo que li a dona do telemóvel confirmou no centro de arbitragem que o telemóvel tem um risco. Se de facto isto é verdade, a troca por um novo ou devolução do dinheiro, que é o que ela pretende, não é possível.
Ou seja, a Ensitel terá razão. E pergunto-me, porquê todo este alarido? Porque a senhora é uma blogger com influência?
não deves ter lido bem já que, de acordo com o blog, o risco só apareceu à 3ª tentativa de devolução
Sabe-se quando a Ensitel falou no risco, não se sabe quando aconteceu nem quem o fez. Só sei o que li (contado por uma das partes) e não falo do que não sei.
Também não sei se a lei obriga a que no caso de avaria a troca seja feita com o artigo novo e com a caixa original etc etc, como tantas lojas pedem.
Mas se o centro de arbitragem decidiu contra a troca por o telefone estar riscado, é porque isso estará na lei.
Não me pronuncio sobre o caso do telemovel.
O que esta agora em causa é utilizar o tribunal para obrigar alguem a apagar os posts que escreveu. Aqui o ataque é á liberdade de expressão…
entretanto, os tolos da Ensitola tabme já perceberam no que se estavam a meter e retiraram a queixa…
Miguel
Nisso tens toda a razão.
O facebook da Ensitel está a ser completamente bombardeado. http://www.facebook.com/#!/pages/Ensitel/14704118…
Este caso promete ser um case-study para todas as empresas que vivam da imagem e do consumo da população. De repente imagino uma série de outras, presentes e passadas, com virtuais preocupações de marketing, a quem fazia muito bem uma operação de marketing destas.
Pode ser que de futuro os direitos dos consumidores sejam mais respeitados. Se não for por honestidade e boa-fé, que então seja por continhas de cabeça aos prejuízos que disparates destes podem provocar.