“Uma pessoa até se sente patriótica assim…”
5 October, 2010 by Tiago Figueiredo

Não vi anunciado em lado algum, posso ser eu que sou distraído ou ando a ler poucos jornais, mas ouvi a dica numa aula e aproveitei ter ido jantar à Mouraria e depois ‘desmoer’ a pé os exageros do meu apetite até ao Terreiro do Paço para assistir a uma coisa que não sei se ainda se repete, mas que gostava de voltar a ver.
Na fachada do arco ia ser projectado um vídeo multimédia feito para as comemorações do centenário da República, que evocava acontecimentos marcantes de Lisboa. Um imenso aparato tecnológico, com projecções marcadas a horas específicas, demasiado espaçadas para tanto trabalho e dinheiro investido.
E é algo confrangedor, ver o Terreiro do Paço com tão pouca gente. Aqueles prédios da Baixa precisam mesmo que quem dirige a CML decida se quer re-habitar Lisboa, como prometido nas eleições. Continuam vazios, escuros de pena e tristeza por dentro por não servirem os fins para que foram construídos há mais de dois séculos.
Valeu o espectáculo multimédia, pujante de cor e som. “Uma pessoa até se sente patriótica assim…”, ouvia-se no público depois dos aplausos sinceros do final.



Nem tudo está perdido, afinal, pois se com um breve momento de som e luz até conseguimos sentir algum patriotismo…! Tiago, eu acho que nem tu lês poucos jornais, nem andas distraído – a realidade é bem outra: a programação destas comemorações é que anda distraída dos seus públicos, dispersa por uns tantos eventos em simultâneo, com uma divulgação entregue ao acaso das conversas que se apanham por aí – seja em aulas, no café, em casa… Mas o pior para mim – confesso! – de toda este conjunto de actividades avulso é a falta de uma orientação clara de todo este bulir com pouco sentido: é a visão triste e medíocre do próprio acto comemorativo que acaba por se fixar num período histórico, como se a Republica se reduzisse a isso, confundindo celebração com o enaltecimento acrítico de um passado que assim fica ainda mais distante e morto. Mais uma oportunidade perdida, mais energia e dinheiro gasto com actividades efémeras, espectaculares, sem projecção nem continuidade, sem vontade de melhor conhecer e re-pensar esta Republica em que vivemos. Que desperdício….