a voar baixinho
6 August, 2010 by Tiago Figueiredo

Há qualquer coisa de opiático na associação entre o gin tónico e o pôr do sol. Não é apenas o corpo que se derrete na cadeira, mas o cérebro que se descontrai, as pequenas angústias que dão lugar a sorrisos, a conversa que flui com palavras habitualmente silenciadas por medo de entediar os outros e que se transformam de repente em frases cheias de sentido e interesse.
A luz apaga-se atrás da última colina e troca-se o lado burguês da Graça pelo banho de realidade da Mouraria, ligados pelas escadinhas do Caracol.

Uma descida que não se sente, ajudada pela leveza do Jameson que na verdade era Bosford. O corpo flutua, como um balão de hélio atado ao chão com um cordel de 10 centímetros. Ao fundo deste lance de degraus estavam três tipos sentados a preparar um caldo. Tinham um ar atrapalhado, como quem não pode mais esperar de tão aflito, os braços, como polvos, mexiam em muitas coisas. Passámos, cruzámos olhares e pediram desculpa por ali estar.

Queria fotografar as ruas com pessoas, que havia muitas, mas afastaram-se quando apontei a objectiva às fachadas dos prédios. O último disse “ó chefe, espere só um bocadinho para eu sair daqui que não sou muito fotogénico.” Vinte metros para dentro é mais complicado, nem tive lata de me fingir distraído para fotografar. É ponto de transacção, avaliações e medições. Podemos olhar nos olhos, mas faz-se cara séria, do tipo estamos-só-de-passagem-vamos-ali-ao-restaurante-chinês-clandestino.

Que está a deixar de ser tão clandestino assim porque a fila chegava às escadas do andar de baixo com mais de uma hora de espera pela frente. Por razões óbvias, não vou dizer onde fica. É que a comida é mesmo boa e ainda quero lá voltar algumas vezes antes que a ASAE o feche.

Plano B. Do extremo-oriente para um pouco mais perto, descendo o globo na diagonal, um moçambicano/indiano, na Rua de São Lourenço, já na Costa do Castelo. Este não é clandestino, chama-se Cantinho do Aziz e é igualmente recomendável e cheio de boas recordações.
Uma das coisas mais maravilhosas de viver no centro de Lisboa é termos tanta variedade tão próxima, podermos viajar tanto em tão pouco tempo e a pé.



ok apanhaste um pifo e desceste o caracol… e então?
Já repararam que o BES fechou?
Tenho saudades do blog antigo…. coisas úteis e interessantes para quem aqui mora…
Chegou a ter até algum respeito por parte de políticos…
Mas… no seu apogeu… foi destruído por dentro….
Agora isto é cada vez mais um blog igual a outros milhões de blogs: sem valor para a sociedade, "meu querido diário" exibicionista….
Despareceu aquela "vibe" de união, altruísmo, luta, justiça…
Ainda por cima eu sou da Graça!…
tanta reticência, mein gott. o bes fechou, todo ele? aqui, onde? defina respeito, defina apogeu, defina "por dentro", defina união, altruísmo, luta e justiça.
O BES do Cond. do Parque. Quanto ao resto, definições: wikipedia. (…)
🙂 logo vi que a capacidade de diálogo era curtinha. infelizmente a reflexão crítica sobre este blog é quase sempre feita na base do "o que é que vocês deviam fazer" e não do "o que é nós podemos fazer". não consegue melhor contributo para "valorizar a sociedade"?
Durante meses tenho estado calado aliás nunca fiz nenhum comentário que não fosse para elogiar e participar neste blog pela positiva (quando tinha outro nome).
Agora, perdoe-me se hoje pus para fora aquilo que sinceramente sinto e penso, já reparei que o amigo desce do nível quando se lhe faz uma crítica (sincera).
Já participei bastante neste blog e ao longo de 5 ou 6 anos ajudei a construi-lo participando como pude.
A capacidade de diálogo não será a de um iluminado, mas julgo ser suficiente.
Devia ter aprendido com a experiencia alheia (dos que tentaram apontar algo e foram insultados) e ter ficado calado.
Bons martinis na Cortina da Graça, espero que um dia volte a voar mais alto (e sem rodinhas). Adeus.
sim, sim. adeus.
eh pá deves ter mesmo a mania que és o senhor Dom da Palavra! É a chamada censura!!! e Agora podes censurar este post! Palhaço!
Censura?!? Porventura o seu comentário, ainda que completamente desapropriado, foi retirado?
Quantos blogues ou sites é que já criou em que possamos lá ir chamar-lhe palhaço? Arrisco dizer que nenhum e a existir se calhar não teria abertura para deixar um comentário como o que escreveu.
Este site nasceu como Viver Alta de Lisboa pela mão do Tiago, que todos conhecemos o nome pois nunca se escondeu atrás de pseudónimos de super-heróis, deu a cara e expôs-se ao bater-se sempre pelo projecto da Alta de Lisboa. Agora evoluiu para outro projecto mais amplo. É natural que isso desgoste alguns leitores mas ainda não vi aparecer outro site que defenda a Alta como este defende e já defendeu.
Porque o Tiago com o mesmo espírito de partilha contido em todos os posts que já escreveu, bem em como em todas as actividades na Alta que desenvolveu, ajudou a desenvolver ou simplesmente deu voz, escreve sobre um dia bem passado nesta nossa cidade, aqui del Rei que isto já não presta.
Ponham a mão na consciência.
Ditto. Este blog seguiu o caminho da Alta: um beco sem saída.
Ainda que as críticas fossem bem aceites, mas nem é o caso.
Até à vista.
Vou fazer uma pergunta e lançar um desafio que já fiz centenas de vezes sempre que esta discussão ressurge, daí a minha impaciência nos comentários anteriores (da qual peço desde já desculpas a quem ofendi).
Onde é que vocês estavam todos quando o Viver andava a escrever emails para a CML e comunicação social e lamentava a fraca adesão da população aos alertas e protestos pelo abandono do projecto da Alta?
Não lamentem o que os outros deixam de fazer, lamentem o que vocês podiam fazer e não fazem. Se sentem falta do Viver na Alta de Lisboa, criem uma alternativa, algo que lhe ocupe o espaço e desempenhe o papel, colaborem com alguma das inúmeras associações locais que bem precisam de ajuda.
ouvi uma frase algures á muito tempo atras…
"criticar é facil,fazer melhor,consegues?"
facil criticar em vez de tentar criar,tenho pena de nao poder participar aqui mais vezes,vim morar para a alta de lisboa á 6 anos,e tenho visto muitas mudanças,para melhor,nao tenho medo de ir ao cafe,ou de levar o cao á meia noite á rua,e tenho pena que os senhores que pore aqui mandam nao façam desenvolver mais e melhor nao so a alta como o resto da cidade
quanto a apanhar um pifo e descer o caracol,acho que muitos de nos ja o fizemos(eu ja )e tb um pouco aerea,mas aerea ou nao,é uma zona bonita de se estar e falar e ali ate á praça do chile e arredores encontrase de tudo,
A Alta faz parte da Lisboa. Falar de outras partes da cidade é valorizar também a Alta. Quando escolhi morar aqui, não foi só por ter casinhas novas com garagem. Acreditei e continuo a acreditar que a mais valia desta zona é a possibilidade de usufruto da cidade como um todo. Cada vez será mais assim, com o avanço, embora lento, das construções e da dinamização urbana.
Numa das queixas que apresentei à CML, um dos argumentos que utilizei para a urgência de prosseguirem com o projecto foi precisamente a massa crítica que a Alta pode gerar para usufruto de Lisboa como um todo. Serão dezenas de milhares de pessoas que se deslocarão livremente pela cidade sem o constrangimento de vir de longe. Serão os moradores das zonas mais afastadas que se deslocarão à baixa para fazer compras ou passear, ou serão aqueles que, como nós, estão a poucos minutos do centro histórico?
Tiago, continua a descrever aquilo que vês e sentes noutros lados da nossa cidade e talvez um dia, espero que não muito longínquo, consigamos também escrever posts com experiências urbanas interessantes aqui bem perto.