Lisboa tapa a sua vergonha com bonitas e coloridas vestes e morre lentamente

31 May, 2010 by  

A culpa de eu permanecer retida num mundo povoado de fadas e eventos mágicos extraordinários é do meu pai.
Era bem pequena, pequena de mais para absorver tantos e tão grandes ensinamentos que o meu progenitor tentava passar-me com uma urgência e sofreguidão descabidas, quando o Zé Ralha achou que era altura de me transmitir os princípios genéricos do animismo.

Anos mais tarde, quando tive 21 valores (!) à disciplina de Psicologia, à boleia de dois pontos extra que o Ministério da Educação decidiu oferecer quando implementou desastradamente os exames nacionais do 12º Ano, percebi, apoiada na literatura de Jean Piaget, que ele, apesar de um pouco excêntrico, tinha sido certeiro na oportunidade de me fazer crer, em tenra idade, que tudo o que nos rodeia tem uma alma. Porque é assim que o pensamento na infância se organiza. E o meu nunca soube reorganizar-se de outra forma.

Foi num dia de Verão, um daqueles quaisquer dias preguiçosos do Verão, e o meu pai, que era muitíssimo generoso nas horas de digestão que obrigava a sua prole a cumprir antes dos mergulhos da tarde, decidiu levar-me ao terraço da piscina, dentro da qual eu passava os dias submergida, pôs a banda-sonora adequada – era um verdadeiro arquitecto de grandes momentos, nenhum pormenor descurado –, que rebentou a escala da sua super-aparelhagem áudio, e ordenou-me ao som da minimalista música de Philip Glass:

– Observa agora como as folhas das árvores mudam de cor!

E mudavam mesmo. E o Koyaanisqatsi – “vida desequilibrada”, traduzida da língua do povo hopi – continuou a ecoar por entre a Arriba Fóssil onde o meu pai se eremitara e onde se divertia a mudar os estados de alma das árvores que tanto amava.

Depois, seguiram-se os muitos passeios no coração sombrio da mata dos Medos, Caparica, com espadas em punho – cedo fomos armados cavaleiros, todos os seus filhos, e eu, a única menina, não fui nunca discriminada –, ateando fogueiras e escutando, sentados num círculo perfeito, as suas incríveis histórias: sobre a génese do mundo, sobre a ira dos deuses, a vida de Cristo e dos Santos, Aljubarrota e o Infante que se perdeu no nevoeiro, a Ordem dos Templários, Agostinho da Silva, Fernando Pessoa e tantos outros ensinamentos místicos que não esqueceremos nunca.

Como no dia em que a despropósito lhe trouxe uma rosa brava do jardim e ele perguntou:

– Pediste licença à alma-grupo das rosas para a arrancares?

E eu, quase a chorar, sem perceber nada do que ele me estava a inquirir, e a achar que não tinha estudado a lição devidamente, que nunca na vida saberia tantas coisas como ele.

– Tens sempre que pedir licença à alma-grupo – sentenciou.

– Mas o que é a alma-grupo, pai? – perguntei eu de olhos presos no chão, e lembro-me até de nesse instante ter visto uma joaninha a passear-se perto dos meus pés.

– É como se fosse o Deus de cada pequena coisa que te rodeia – disse. – Se precisares de cortar um ramo de uma árvore para fazer uma fogueira, colher uma flor para o teu cabelo, ou um limão para fazer limonada, pedes à alma-grupo dessa árvore, dessa espécie de roseira, e à dos limoeiros – explicou. – E se for para fazeres alguém feliz, ou se for para te alimentares, para te protegeres ou até para te princesares [um verbo que a minha avó Isaura inventou exclusivamente para mim], a alma-grupo nunca te dirá que não, nem há-de ficar zangada.

Fez-se um silêncio constrangedor e eu suspirei. O meu pai salvou o momento, percebendo que eu estava prestes a desfazer-me num gigantesco pranto, e disse:

– Acho que essa flor só quis nascer porque já desconfiava que iria morrer nas tuas mãos; não podia ter um destino maior que esse. Obrigado, filha.

Depois de me explicar que no Purgatório as contas seriam feitas e pesadas as boas e as más acções em pratos opostos da balança, eu passei a pedir licença às flores, a falar com as plantas e com as árvores para elas crescerem mais e viçosas, e a pedir desculpa sempre que tinha de matar melgas, moscas e outros tipos de mosquitos. E talvez venha daí o meu incrível jeito para criar orquídeas.

Certamente é por isso – e pelo inestimável contributo do antropólogo Sir Edward B. Tylor, que em 1871 introduziu o conceito de animismo enquanto fenómeno religioso, afirmando que para o homem primitivo tudo era dotado de uma alma – que algumas pessoas até me dão o desconto (outras sentenciam sem dó nem piedade múltiplos distúrbios psiquiátricos). E é sustentada nessa tese que eu tenho a certeza que uma casa não é apenas uma casa, que é são apenas um puzzle de tijolos, colados com cimento, armados com a ajuda de traves e vigas e cobertos de telhas.

Outra das minhas melhores características (entre dotes artísticos múltiplos) é, também, a capacidade de funcionar em multi-tasking. Ou seja, posso estar a escrever este texto e a desenvolver, paralelamente, uma outra série de actividades distintas (com as quais ainda acumulo sem dificuldade alguma o mascar pastilha) de uma forma exemplar. Há quem lhe chame também défice de atenção e concentração. Mas adiante.

Durante anos a fio, e durante a minha ainda algo longa carreira no jornalismo de referência em Portugal – uma década nas três décadas pelas quais me passeio neste mundo –, alternei textos sobre greves, despedimentos colectivos, indústrias várias, publicidade e marketing, entrevistas a ministros e secretários de Estado, com o fascínio voyeur de contemplar o abandono a que a cidade onde decidi nascer votou a grande maioria do seu património arquitectónico.

E os meus dias, durante um grande período de tempo, dividiam-se entre a produção noticiosa e a visita de um purgatório online, que se chamava Lisboa Abandonada (www.lisboaabandonada.net).

O Lisboa Abandonada era um projecto de uma qualidade inacreditável, e que pura e simplesmente desapareceu totalmente da face da superfície da Internet. Se não me falha a memória, era da autoria de um ou dois professores universitários, e teve, no seu auge, a mais completa das bases de dados dos mais belos edifícios de Lisboa em ruína e total abandono despudorado. Milhares e milhares de prédios alinhados à espera do fim.

E eu escrevia as notícias com as quais ganhava a vida, e alternava-as com pesquisas por freguesia das casas que morriam na minha cidade. E inventava histórias detalhadas para cada uma delas. Cheguei a fazer roteiros de fim-de-semana apoiada no Lisboa Abandonada, como um voluntário que vai fazer visitas a idosos e doentes abandonados nos hospitais.

Porque a cidade dói-me. Porque qualquer forma de abandono me corrói. Seja em pessoas, animais ou mesmo casas.
Depois, abandonei o jornalismo económico e fui para a secção Local Lisboa – onde verdadeiramente aprendi a ser uma grande jornalista –, e foram aos magotes os textos de obituário a casas que escrevi, homenagens a prédios que me vi dolorosamente forçada a escrever, depois dos seus assassinatos ou violações de toda a espécie.

Guardo a memória de dois em particular, o gaveto entre a Duque de Loulé e a Rua Camilo Castelo Branco – demolido, e à espera que o seu vizinho do lado tenha o mesmo destino –, e o gaveto onde viveu o poeta Fernando Pessoa, tornejando o Largo da Estefânia, e as Ruas Almirante Barroso e Casal Ribeiro, a cuja ruína ainda assisto todos os dias.

Ambos os textos receberam uma chuva de emails e cartas emocionadas ao director, o que me fez ver que há outros iguais a mim, que se revoltam mesmo que em causa esteja apenas um prédio abandonado.

Quando decidi abandonar o jornalismo, fiz questão que os meus últimos dois textos assinados no Público fossem sobre casas, as tais casas que eu acredito que têm também alma e que sofrem por ninguém as tentar salvar: escrevi uma página sobre o Palacete da Tudor – totalmente arruinado desde que foi comprado há 3 anos por uma construtora de seu nome CAFE, também proprietária do gaveto da Almirante Barroso –, e outro sobre a degradação que reina na Tapada das Necessidades, jardim real de há um século atrás…

Nunca travei nenhuma demolição com estes artigos, não ganhei qualquer prémio de jornalismo e nem foi por eles que a minha carreira jornalística foi catapultada. Mas deixei um rasto para memória futura. Penso que é esse o meu legado, se é que haverá algum legado que vou deixar para trás.

Todo este blá-blá-blá – e os meus parabéns a quem conseguiu chegar até aqui – para dizer que me ofende profundamente o “Projecto Crono”, da autoria dos “Gémeos” expostos no Museu Berardo (grande golpe de marketing museológico, porém).

Os tais senhores, o italiano Blu e o espanhol Sam3, estão a fazer em plena luz do dia, com a autorização e apoio da CML, um gigantesco graffiti num quarteirão abandonado da Fontes Pereira de Melo, junto ao classificadíssimo Palácio Sotto Mayor.

Os “Gémeos”, leio nas notícias, estão a fazer arte – e isso eu não questiono, os graffiti são geniais –, num prédio que foi esventrado há uma boa dezena de anos para um projecto imobiliário que nunca avançou, num prédio que estava tapado, até há pouco tempo, pela última tela de autopromoção que restava do mandato de Santana Lopes.

(Na fachada do graffiti dos “Gémeos” ainda coberta pela tela de PSL, podia-se ler: 2005 – 1834 edifícios recuperados.)

Uma tela que lembrava que o mal-amado ex-presidente da CML tinha recuperado mais imóveis devolutos do que qualquer outro antes de si. Lembro-me de Santana Lopes ter travado algumas demolições in extremis, inclusive na rua onde se situa a redacção do Público, e lembro-me de pensar, apesar de o “menino-guerreiro” não fazer ideia de que somos primos em não sei quanto grau: “Isto corre mesmo na família.”

Por isso, ofende-me a política que a actual vereação tem em curso, de autorizar toda e qualquer camuflagem publicitária da sua maior vergonha – porque o diagnóstico não deixa margem de dúvidas: a minha cidade está doente, morre aos poucos e é prostituída por tuta-e-meia.

Independentemente da qualidade artística dos senhores que grafitaram o devoluto em questão. Não é isso que está em causa.

Suponho, portanto, que agora, todo e qualquer graffiti pintado num prédio devoluto esteja devidamente legitimado, com a desculpa que se trata de arte. E a J.C. Decaux se fosse esperta teria aqui a abertura para uma grande oportunidade de negócio: anunciantes de todo o mundo, arranjem uns bons graffers e vamos pintar os milhares de prédios abandonados de Lisboa com o colorido das vossas marcas e dos vossos produtos!

Mas o problema não é de hoje, e não vai acabar por aqui.

Tive taquicárdias na vinda de Sua Santidade o Papa, quando reparei que as boas-vindas ao Santo Padre estavam escritas numa tela que cobria um edifício em ruína, na mesma Avenida Fontes Pereira de Melo onde se está a produzir arte na fachada de um devoluto com a assinatura dos “Gémeos”. Anteriormente à tela das boas-vindas, esteve lá o milionário futebolista Ronaldo e o “Quem sabe sabe e o BES é que sabe”.

(Ainda agradecemos por destruírem Lisboa?)

E choca-me também que a CML se vanglorie com as suas autopromoções – “Obra a obra Lisboa melhora” –, quando, por exemplo, aprova a demolição de um Ventura Terra, na contígua Avenida da República, ao Campo Pequeno.

E o que dizer das telas da Nissan, do Fox Channel, e de tantos outros anunciantes, que cobrem, cobriram e cobrirão as três empenas do edifício, também ele na Fontes Pereira de Melo, junto ao perímetro de protecção da Casa-Museu Anastácio Gonçalves, onde de quando em quando se discute a construção da chamada “Torre Compave”?

(Av. Fontes Pereira de Melo, 39, fachada que está tapada desde o primeiro mandato da dupla Costa-Sá Fernandes)

O que é que a cidade ganha com isto? Nada! O que é que o proprietário do devoluto e o concessionário J.C. Decaux encaixam? Muitos milhões!

Lisboa tapa a sua vergonha com bonitas e coloridas vestes, mas morre lentamente.

Disclaimers (porque gosto que as coisas estejam sempre em pratos limpos):
Entre Abril e Maio de 2007 – um mesito, portanto – fui assessora de imprensa do Gabinete do Vereador dos Espaços Verdes, Espaços Públicos, Ambiente e Gestão Cemiterial, António Prôa, responsável esse que proibiu o licenciamento de quaisquer telas publicitárias em edifícios devolutos, ou em prédios habitacionais. Despacho que António Costa prontamente revogou, para encaixar umas esmolas em taxas de ocupação de espaço público. Trabalhei esse mês num prédio de Ventura Terra, Prémio Valmor 1910, e se dúvidas houvesse que as casas não são apenas casas, todas elas se dissipariam ao entrar nessa habitação – que está fechada desde 2007 à mercê do abandono generalizado de Lisboa.

Entre Março e Outubro de 2009 fui assessora de imprensa do Museu Colecção Berardo, instituição que muito respeito e prezo pelo contributo cultural – gratuito – de enorme qualidade e projecção internacional que trouxe à cidade de Lisboa.

Sou proprietária de 1/2400 do que resta de dois lindíssimos prédios devolutos na Rua Bernardo Lima – nºs 50 a 62 –, gaveto com a Duque de Loulé. Edifício que constava da listagem do Lisboa Abandonada, e no qual o meu avô me disse que por lá viveu Oliveira Salazar. Aqui está ele, também com graffiti.

As minhas desculpas ao Tiago Figueiredo, que, quando me “contratou” para integrar a equipa do Viver, não estaria à espera que eu fizesse posts de 12 mil caracteres, com lembranças da minha rocambolesca infância.

*Fotografias roubadas descaradamente ao Fjorge, do vizinho CidadaniaLX (http://cidadanialx.blogspot.com), e ao blogue Serious Love (seriouslove.wordpress.com). A foto do prédio do qual tenho uma ínfima fracção da sua permilagem foi roubada aqui: http://www.aventar.eu.

Comments

9 Responses to “Lisboa tapa a sua vergonha com bonitas e coloridas vestes e morre lentamente”
  1. JoaoTitoBasto says:

    Comentar com 3 singelos paragrafos um post de 12 mil caracteres é uma verdadeira insensatez, mas embora tenha adorado o teu texto, sinto (nalgumas coisas) a cidade de uma maneira diferente.

    As telas publicitárias em edifícios (devolutos ou não) e a poluição de outdoors publicitários e de partidos políticos em plena cidade chateiam-me bastante, os edifícios devolutos ainda mais, mas, parece-me, são outro assunto, outro problema.

    Sinceramente, doí-me a publicidade e a degradação da cidade, os grafittis a que referes na Fontes Pereira de Melo e na Tomás Ribeiro não me chateiam nem um pouco. Como é evidente preferia ter os edifícios recuperados mas entre umas lonas imundas que lá estavam a tapar aqueles 2 edifícios ou estarem pintados como estão agora, prefiro claramente a segunda opção.

    • pedrodepinto says:

      A CML encaixava uns bons milhares de euros com publicidade exterior nesses edifícios… E ao menos tapava-os!

    • Miguel Costa says:

      Infelizmente vivemos numa época muito difícil, as telas 100 % publicitárias, permitem um encaixe financeiro, enorme à C.M.L., permitem dinamizar os anunciantes, que geralmente são grandes empresas com muitos empregados, que se não venderem, despedem os seus funcionários.
      São indispensáveis a muitas empresas na área da publicidade directamente e indirectamente, geram muitos empregos, que são na sua grande maioria empresas nacionais de pequeno e média porte, que encontram neste suporte a única possibilidade de colocarem publicidade para os seus clientes em Lisboa, dado que a exclusividade para colocação de publicidade está entregue a três empresas de capital estrangeiro, essas sim controlam a cidade, através dos mupis, outdoors 8×3, 4X3, as paragens dos transportes públicos, porque se uma empresa quiser instalar qualquer suporte que acabei de referir, a C.M.L. não permite, pois existe exclusividade por 15 anos. O que é que todas as outras empresas fazem?
      Não gostamos de algumas imagens das telas publicitárias, é sempre subjectivo o gosto de cada um.
      A realidade é que mesmo que as telas não existam, Lisboa continuará com os edifícios devolutos, com edifícios em estado avançado de degradação e a C.M.L. sem qualquer verba da publicidade, que posso garantir que em vários edifícios, recebem mais de 10.000,00 € mês através de taxas de publicidade, assim como muitos proprietários e condomínios desses edifícios, ajuda importantíssima
      para a manutenção, conservação e segurança do seu património.
      Hoje é muito difícil, para não dizer impossível a alguns proprietários conseguir crédito na banca ou conseguirem vender o seu património, estas verbas são da mais alta importância.
      Gostaríamos todos de ver Lisboa pintada e a brilhar, pois hoje essa não é a realidade, por mais boa vontade que cada um tenha. Temos de ser realistas!

  2. Maria A. Ferreira says:

    Boa Tarde,

    Pedia-lhe o favor de me contactar, a propósito do laço familiar que refere no seu texto.
    Tel 21 384 94 40

    M. Obrigada

    • Diana Ralha says:

      Cara Maria,
      Não sei bem qual o intuito do esclarecimento, suponho que seja secretária do Dr. PSL.
      Mas, efectivamente, também não lhe sei concretizar com precisão o laço familiar – quem mo referia amiúde e com enorme orgulho era o meu avô Alberto Correia Ralha, que faleceu no início deste ano, mas eu nunca o memorizei, confesso, e estava a deixar essa tarefa para quando me iniciasse nas lides da genealogia.
      Os laços familiares que refiro remontam a Arganil – de onde é o braço da minha família Correia Ralha – é a única coisa que sei precisar. O que o faria o Dr. PSL efectivamente um primo muito afastado (penso que em 5º grau). Mas tentarei apurar.
      O meu email é, acaso queira contactar-me, é: diana.ralha@gmail.com.

  3. Concordo inteiramente com o João Tito,

    poderei talvez acrescentar que como patente no edifício onde morou o Salazar o graffiti não é fantasia nem é algo encomendado, é um fenómeno que existe e é de difícil gestão, o CRONO tenta aborda-lo no âmbito de uma estratégia mais alargada que terei todo o prazer de partilhar se a Diana quiser trocar uns emails, aqui fica o meu: sevenpedro@gmail.com

    aproveito para tentar clarificar que o "aproveitamento" da presença dos gêmeos em Lisboa para iniciar o projecto deve-se somente a questões de economia de custo decorrentes da escassa existência de fundos, ou seja a relação com o Museu Berardo é nula, talvez infelizmente quando comparando os patrimónios do museu e da associação (criada para o efeito por 3 jovens "marretas" da "área" do graffiti)

    cumprimentos

  4. jingxiamnh says:

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