Passadeiras que protegem os peões

2 February, 2008 by  

De uma forma simplista, dir-se-ia que a organização urbana clássica das ruas as divide em estrada para os automóveis que circulam, zona de parqueamento para os carros estacionados, e passeios para os peões. Na intersecção destas zonas, servem as passadeiras para tornar comuns dois espaços dificilmente compatíveis: o dos automóveis e o dos peões. Mas esta relação nem sempre é fácil e clara. Quando um peão atravessa uma rua, invade o espaço propriedade do automóvel? A maior parte das soluções urbanas encontradas assim o demonstra:

(passadeira na Rua Helena Vaz da Silva)

O passeio, antes elevado, ajusta-se, submisso, ao nível da estrada. Nesta solução, aparentemente é o peão que pede o favor aos automóvel para atravessar. A passadeira pintada é apenas o resultado de leis e códigos que procuram regular a salutar convivência entre peões e carros, mas a propriedade do espaço está assumida pelo automóvel.

Porém, a desproporção de meios entre peão e automóvel tornará o primeiro sempre mais vulnerável que o segundo, independentemente das responsabilidades de cada um. Em qualquer embate ou confronto físico, é o peão que perde, é o peão que morre. Daí se ter começado a alterar o conceito hierárquico neste espaço comum. As passadeiras continuavam a ser espaço dos peões, e o invasor era agora considerado o automóvel. Mas ao conceito ético não lhe é suficiente ser lei, precisa de solução física para se tornar eficaz e respeitado, imune a distracções ou falta de civismo. Surgem assim as passadeiras sobreelevadas, que dão continuidade ao passeio na intersecção com a estrada, subalternizando-a, obrigando-a a respeitar o peão.

(passadeira num cruzamento da Rua Helena Vaz da Silva)

Outro exemplo para a mesma solução, a lomba sinusoidal, pode ser visto no blog Menos Um Carro, que se dedica empenhadamente a apontar soluções urbanísticas para tornar mais saudável a relação dos peões com o automóvel, tornando as cidades mais agradáveis e desfrutráveis pelas pessoas nas ruas. Aumentando a vivência e consequente segurança do espaço público.

(imagem retirada do blog Menos Um Carro)

É uma solução muito eficaz para a redução da velocidade dos automóveis nas cidades, importantíssima nas zonas residenciais, e não é prejudicial às suspensões dos automóveis como as lombas estreitas adoptadas na generalidade das cidades portuguesas, nomeadamente em Lisboa.

Termino com uma nota negativa. Há meses que moradores e este blog têm enviado emails para a CML para que fosse pintada esta passadeira da Rua Helena Vaz da Silva. Até hoje nenhuma resposta. Uma rua onde, segundo relatos vários de moradores, passam carros a velocidades estonteantes, incompatíveis com a frequência elevada de peões, aumentando seriamente o risco de um acidente mortal. Era uma excelente ideia implementar-se já uma solução de passadeira sobreelevada em vez de apenas pintar a zebra no chão.

(Passadeira por pintar na Rua Helena Vaz da Silva – 22/i/2008)

Neste vídeo poderão ver o funcionamento deste tipo de lombas, em mais uma produção do CanaLta 17b.

Comments

4 Responses to “Passadeiras que protegem os peões”
  1. Sobreda says:

    Caro Tiago,
    A ideia das passadeiras sobrelevadas havia já sido anteriormente apresentada pelos eleitos municipais de “Os Verdes” em seio da própria AML, há pelo menos um ano atrás, à então vereadora responsável pelo respectivo pelouro, mas, infelizmente, jamais chegou sequer a ser ensaiada em Lisboa.
    Tal como mais tarde escreveríamos, “o conceito deve por isso basear-se na prioridade ao peão e na ideia que é a viatura que atravessa um espaço àquele dedicado e não o contrário. Aliás a cidade é o local por excelência destinado à mobilidade do ser humano, sendo o carro um redutor de distâncias, mas sempre um seu invasor”.
    “Em comparação com a sequência de lombas tem a vantagem de o condutor não andar aos saltos com a sua viatura, necessitando apenas de reduzir a velocidade e prosseguir sobre uma única longa lomba em velocidade reduzida, e da facilidade de uso para um deficiente com mobilidade reduzida”.

    Ler por ex. http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2007/08/passadeiras-elevadas.html

    Mais. Sabiam que o art. 9º do “Regulamento para a Promoção da Acessibilidade e Mobilidade Pedonal” da CML postula que “…preferencialmente, sobreelevar-se-á o pavimento rodoviário até à cota do lancil” !?

    Conferir http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2007/11/passagens-de-pees.html

    E já agora (embora me não dirija ao sr. prof. Tiago, claro!!), rogo que urgentemente subscrevam a Petição em defesa do Conservatório no URL http://www.petitiononline.com/CFEEMP/petition.html

    Um abraço.

  2. Anonymous says:

    Depois do aeroporto
    04.02.2008, António Prôa

    O anúncio do primeiro-
    -ministro sobre a decisão de construir o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete vem comprovar que vale a pena estudar, comparar e tomar decisões fundamentadas, especialmente quando as opções em causa têm consequências determinantes para o desenvolvimento do país, mobilizam recursos importantes e afectam várias gerações.

    Decidida que está a localização do novo aeroporto, surgem agora várias questões conexas mas igualmente determinantes para o futuro do país, para a área metropolitana e para a cidade de Lisboa.
    A par com o anúncio sobre a localização do aeroporto, o Governo apressou-se a comunicar como factos consumados a desactivação do aeroporto da Portela, o traçado da rede de alta velocidade e respectivos ramais de ligação ao aeroporto, local da estação de Lisboa da linha de alta velocidade, local da terceira travessia do Tejo e modos de transporte a incluir na nova ponte. O Governo tentou fazer passar “em pacote” um conjunto de decisões que estão longe de ser consensuais, não foram devidamente estudadas e muito menos comparadas com as possíveis alternativas.
    Se o novo aeroporto é uma infra-estrutura com relevância nacional, algumas das opções relacionadas têm impacto regional, em particular para a Área Metropolitana de Lisboa, e outras ainda têm impacto principalmente na cidade de Lisboa. São exemplos deste facto a decisão sobre o futuro do aeroporto da Portela ou a localização da terceira travessia do Tejo, especialmente se esta incluir o modo rodoviário.
    Relativamente ao aeroporto da Portela, está por demonstrar a impossibilidade ou sequer a desvantagem da sua permanência para além de 2017. Naturalmente que haverá vantagens e inconvenientes. Mas terão sido estas devidamente avaliadas? Não. E o impacto para a economia da cidade está calculado? Não.
    Não será sensato rentabilizar os significativos investimentos já efectuados e os que serão ainda materializados até 2017 na Portela? Portugal é um país periférico. Lisboa é uma capital marginal no contexto europeu. Constituindo a localização central do aeroporto da Portela uma vantagem competitiva face às congéneres europeias, não será acertado capitalizar esta mais-valia?
    Porque não estudar a possibilidade da manutenção do aeroporto da Portela em operação para além de 2017 como infra-estrutura vocacionada para voos de negócios, indo ao encontro de um segmento de mercado que procura a vantagem de aterrar no centro da cidade e está disposto a pagar tal comodidade? A manutenção do aeroporto na Portela, mesmo que com ajustes ao seu modelo de funcionamento, é matéria que deve ser aprofundadamente estudada antes de qualquer decisão precipitada.
    Entretanto chegou a ser afirmada pelo Governo como definitiva a solução da travessia do rio Tejo no corredor Chelas-Barreiro com os modos ferroviário convencional, ferroviário de alta velocidade e rodoviário. A solução ferroviária de alta velocidade, quer no traçado, quer nos ramais de ligação, quer até no corredor de travessia, não é ainda consensual e o estudo aprofundado e comparativo das alternativas possíveis tendo em conta a localização do novo aeroporto está por concretizar.
    Finalmente, há a questão da ligação rodoviária entre o Barreiro e Chelas. Esta decisão já anunciada pelo Governo e apoiada pelo presidente da Câmara de Lisboa pode constituir um erro determinante para o desenvolvimento da área metropolitana e para a cidade de Lisboa. O modelo de desenvolvimento que queremos vai continuar baseado na promoção e prioridade ao automóvel? As deslocações urbanas ou interurbanas devem ser efectuadas com recurso ao transporte individual? Queremos injectar mais automóveis no centro da cidade de Lisboa? Quando a humanidade se confronta com uma batalha contra o aumento das emissões de CO2 para a atmosfera, faz sentido facilitar a circulação de automóveis que constituem uma das principais fontes de emissão? Não creio. Será a solução rodoviária no corredor Chelas-Barreiro inevitável ou até única para responder aos desafios colocados pelo novo aeroporto? Não.
    O que é proposto na amarração da ponte Chelas-Barreiro em Lisboa é contrário às regras utilizadas no planeamento de transportes e infra-estruturas rodoviárias. As ligações rodoviárias de carácter nacional ou regional devem amarrar a vias regionais ou nacionais. É isso que sucede com a Ponte de 25 de Abril e com a Ponte de Vasco da Gama. Neste caso, o que se apresenta é a ligação da nova ponte ao centro de Chelas, “despejando” o trânsito directamente em vias de características urbanas como a Segunda Circular, Av. do Marechal Gomes da Costa e rotunda do Relógio, Avenida dos EUA e Entrecampos ou rotunda das Olaias.
    A concretização da travessia rodoviária Chelas-Barreiro significa despejar cerca de 70 mil veículos todos os dias no centro da cidade de Lisboa. Significa colocar mais carros onde já existem de mais, aumentar o número de acidentes em zonas residenciais, aumentar o ruído, aumentar a poluição do ar. É este o desenvolvimento da cidade de Lisboa que queremos? Não.
    Relativamente às questões rodoviárias, há várias soluções tecnicamente sustentadas. Umas e outras têm vantagens e inconvenientes. Falta estudar!
    Curiosamente (ou não), o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, não coloca reservas à solução rodoviária defendida pelo Governo. Parece apenas preocupado em conseguir dinheiro para fazer obras associadas a esta travessia. Para ele, serão obras para mostrar. Para Lisboa e para os lisboetas, serão sempre 70 mil veículos por dia a entrar directamente no centro da cidade. António Costa pode estar a defender o seu interesse, mas não está a defender Lisboa.
    Ex-vereador eleito pelo PSD na Câmara Municipal de Lisboa

  3. Anonymous says:

    do Publico
    Nova esquadra da Divisão de Trânsito da PSP no Lumiar só tinha dois polícias de serviço
    06.02.2008
    Agentes criticam falta de condições, mas contra-ordenações continuam em Santa Marta

    O piquete de atendimento ao público da Divisão de Trânsito de Lisboa da PSP abriu na nova esquadra do Lumiar, apenas com dois elementos de serviço.

    Um graduado de serviço e um sentinela eram os únicos agentes que na manhã de segunda-feira estavam de serviço, na nova esquadra do Lumiar, que vai receber a Divisão de Trânsito de Lisboa e que durante décadas funcionou na Rua de Santa Marta. Nas novas instalações só estão ligados um telefone e o rádio da polícia. O computador ainda não funciona, o fax não tem linha e a fotocopiadora tinha sido instalada no momento.
    Na Rua de Santa Marta continuavam todas as motos e os veículos da Divisão de Trânsito. Os assuntos relacionados com contra-ordenações de trânsito continuam a funcionar, por enquanto, na Rua de Santa Marta. O principal motivo da mudança, disse na sexta-feira a subcomissária Paula Monteiro, é a “falta de condições logísticas” das antigas instalações, que “já não correspondem às necessidades” da corporação e do público. Alguns agentes não concordam com a mudança. “Só depois de criadas as condições deveriam passar para as novas instalações do Lumiar”, considerou Nélson Brito, da Associação Sindical do Profissionais de Polícia (ASPP).
    Para o Alto do Lumiar só existe um autocarro de acesso (777) e as instalações não têm cantina, existindo apenas “uma máquina de sandes”. O espaço “ainda não tem mobiliário ou equipamentos instalados, porque os móveis novos, lá colocados anteriormente, foram transferidos para esquadras em Vila Franca de Xira e na Linha de Sintra”, inauguradas recentemente pela tutela, explicou o dirigente da ASPP. Lusa

  4. Anonymous says:

    querem mais o quê??? comidinha e cama lavadinha??? eu tb ando todos os dias para ir para o trabalho e tenho que fazer pela vidinha…
    estão mal… azar… escolham outra profissão!!!

    tou mesmo a ver:
    querem tudo sem levantar o cuzinho!!!

    já sei… tipo “american police”
    coffee and donuts…!!!
    da…….se!!! não há pachorra!!!

Speak Your Mind

Tell us what you're thinking...
and oh, if you want a pic to show with your comment, go get a gravatar!