Águas paradas

31 October, 2009 by  

É um post difícil, este. É-me difícil não lembrar os atrasos da obra face às promessas feitas em Fevereiro. Sá Fernandes disse Maio à comunicação social, os cartazes da SGAL/CML são mais modestos e garantem Junho. Amanhã é Novembro mas ainda faltam coisas, apesar deste aspecto quase acabado. E não é a urgência de abrir o parque ao público que incomoda, é inconsequência das palavras.

É um post difícil porque me sinto a ficar indiferente aos atrasos e às palavras fracas de quem nos governa. É difícil porque prefiro um atraso de um ano, mas ver a obra a mexer, do que ouvir e ler prazos para outras coisas como a Av. Santos e Castro ou o Centro Social da Musgueira que continuam exactamente no mesmo ponto de há anos atrás.

Mas vale a pena perder um segundo sequer a voltar a falar nisto? Alguém se incomoda? A sério, é uma curiosidade minha: algum dos estimados leitores se incomoda com isto? Vale a pena fazer pressão sobre Governo, CML e SGAL ou também sentem que é tempo e energia gastos inutilmente?

Comments

26 Responses to “Águas paradas”
  1. Incomoda sim, e muito.

    É penoso ver prazos que parecem "ao acaso" e apenas servem para atirar poeira para os nossos olhos.
    É penoso ver a falta de respeito com que somos tratados.

    Parece realmente tempo e energia gastos inutilmente.

    Mas a indiferença é o pior que podemos fazer a nós próprios.

    Temos de continuar…

  2. Ana Barata says:

    Incomoda-me, revolta-me, faz-me desesperar. Todos os dias. Todos os dias de todos estes anos.

    Quem conheceu a Musgueira sabe que muitos dos seus moradores esperaram 40 anos por uma casa prometida. Essa “travessia do deserto” não se deseja a ninguém. Não se deseja à Alta. E esta memória recente deveria ser um alerta constante e a melhor lição para quem aqui tem responsabilidades. Os atrasos, os adiamentos e as inércias têm um custo muito elevado, difícil de estimar, que dificilmente conseguiremos alguma vez medir com precisão, mas que têm consequências dramáticas que ficarão para “alguém” resolver.

    Mas 100 vezes caio e 100 vezes me levanto. Com a firme convicção de que todos nós temos importância, que também temos um papel a cumprir e que, muitas vezes, esse papel é o de combater e lidar com as contrariedades. Têm sido muitas… mas encontro aqui no Viver um alento diário para agir, exigir e contribuir para que as coisas mudem. Um alento que gostaria que fosse o alento de muitos. Porque o silêncio e os braços cruzados nunca resolveram nada, não é?

  3. Tiago says:

    Pois, mas descruzar os braços tem algum efeito para além de acreditarmos que tem e ficarmos com a consciência aliviada? Não te sentes sozinha quando cais e levantas? Não te cansa ver o tempo passar, ver vereadores, asessores e directores municipais passarem, esfregarem mentiras na cara das pessoas, ver as pessoas alegremente a acreditar e esquecer, a dar saltos e pinotes nas eleições e depois voltar às vidinhas silenciosas?

  4. Ana Barata says:

    Cansa. Sinto-me sozinha, sim. Ou pouco acompanhada, pelo menos.

    Mas também sei que, de vez em quando, animo alguns. Sei que há quem não se manifeste, mas toma consciência, reflecte sobre o assunto e acolhe. E sei que represento uns poucos que não conseguem facilmente que a sua voz se ouça.

    Perguntavas se valia a pena falar dos atrasos e incumprimentos… Eu acho que vale. Pelo menos, não lhes damos descanso e pode ser que desassosseguemos algumas consciências.

  5. moradora says:

    Não baixo os braços. Trabalho que me desunho!
    Não me calo. Falo, conservo, mando bocas o mais possível!
    Não me resigno! O bairro, o país, o continente, o planeta precisam de mudança!

  6. rmbp says:

    Francamente, não vos percebo… Eu acho que o Eixo Central devia estar feito à muito tempo e a Santos e Castro devia estar aberta à anos… Mas francamente, se o António Costa tivesse aberto o parque antes das eleições teria sido crucificado por populismo, tipo Alberto João Jardim, mas como não inaugurou é crucificado por não fazer nada… Se querem ser relevantes na gestão da Alta de Lisboa ponham as vossas cores politicas de lado e tentem ter uma atitude construtiva e não destrutiva… Falar mal gratuitamente não serve de nada…

    • Tiago says:

      Não percebeu patavina, recém-chegado rmbp. Não está em causa a inauguração falhada. Era óbvio ao olhar de um leigo, logo em Fevereiro, que seria impossível inaugurar o Parque Oeste antes das eleições, quanto mais nas datas indicadas.

      O que faz esmorecer é a inconsequência das promessas, dos prazos avançados, das declarações públicas.

      E não insinue cores políticas porque vai falhar. Quanto a atitudes construtivas, adorava aprender com o seu exemplo, rmbp. Onde o posso seguir?

      • rmbp says:

        Sim, não devo ter percebido… Deve ser um problema meu… Mas que não fique como anonimo… O meu nome é Rui Barradas Pereira e não moro na Alta de Lisboa, moro na Ameixoeira, mas gostava que a Alta não fosse o enclave que é actualmente na cidade… Mas não acho que esta seja a melhor maneira melhorar a Alta de Lisboa. O meu meu mail é rmbper@gmail.com, não tenho filiação politica e pode se quiser pode seguir os meus twits parvos em ruibpereira.

  7. carlosmc says:

    Sinceramente caro rmbp o seu comentário é completamente a despropósito. Conheça antes de falar. Tenha a humildade necessária para abordar um assunto novo seguramente para si.
    A questão não tem a ver com cores políticas, essa fica pelos que acusam de se discutir os assuntos com um sentimento umbiguista, que não ultrapassa a espuma dos dias.
    O que aqui sempre se discutiu, desde a primeira hora, é cumprir aquilo a que se é obrigado. É respeitar os compromissos. É dizer a verdade. É não defraudar expectativas e direitos.
    Há uns anos atrás discutia-se aqui no Viver se o Parque Oeste devia ter bancos com costas ou sem costas, insultava-se quem não anunciava a mudança de trânsito numa rua, por ser uma falta de respeito e uma ausência de informação inadmissíveis.
    Hoje, discute-se não cumprir um prazo anunciado, não fazer a expropriação que se diz ter sido feita, não fazer o parque que há anos podia (não devia…) estar pronto, não fazer o centro social que devia ser feito (Centro Social da Musgueira), voltar a discutir um projecto aprovado ao fim de 7 anos, por mero capricho político (Porta Sul…), não avançar com uma obra por falta de iniciativa ( Carris, CM Loures)…..etc…
    Não sei se consegue perceber a que assuntos me refiro. Teremos muito gosto em o pôr a par destes processos que há anos se arrastam.

  8. Nuno says:

    O importante é não desistir!

    Some people see things as they are and say why.
    I dream things that never were and say why not?
    George Bernard Shaw

  9. Moro na Alta há menos de um ano e comentei neste post que não podemos passar a ficar indiferentes ao que por aqui se passa (ou melhor, não se passa).

    Não me interpretem mal: é muito fácil dizer isto para quem vive cá há pouco tempo…

    Acho perfeitamente legítimo que pessoas como a Ana Barata e o Tiago estejam fartos de remar contra a maré, de sonhar, de se entusiasmar e de se desiludir.

    E quem, como eu, não tem ideias originais para melhorar as coisas, tem a obrigação de apoiar activamente iniciativas de quem, como eles, a título individual ou colectivo, levanta a voz para que os prazos anunciados sejam cumpridos, para que as águas não estejam paradas, para que Alta seja um Bairro digno desse nome.

    • Tiago says:

      Não compares a grandeza das tarefas, Luísa. A Ana Barata é DIrectora do Centro Social da Musgueira e eu sou um cidadão igual a qualquer outro. Fazer um blog sobre o bairro e mandar uns emails qualquer pessoa pode fazer. Mas seria excelente se mais pessoas o fizessem, de facto.

  10. amendonca says:

    Eu não sei muito de construção civil, mas acham que se uma noite destas fossemos encher o pilar que falta no viaduto da Santos e Castro que eles depois terminavam o tabuleiro? Para a rotunda ao pé do parque das conchas resultou…

    Em relação a outro tipo de intervenção, não sei bem o que se pode fazer… Encher as mailboxes oficiais de emails? Marchas pela alta? Cada vez me dá mais a ideia que os políticos estão a ficar imunes a este tipo de pressão e os filtros dos clientes de email estão cada vez mais eficientes… Mas posso estar enganado.

    • Tiago says:

      Emails para os Vereadores com Pelouro da CML, para os Vereadores da oposição da CML e para a comunicação social. Sobretudo Comunicação Social.

      É verdade que infelizmente o poder eleito cada vez menos liga ao que as pessoas pensam e propõem. Mas quando os casos caem na comunicação social, lá se esforçam por alterar a inércia e fazem por justificar o ordenado que pagamos. O melhor exemplo disto aqui na Alta foi a rotunda. Ah, e as passadeiras, depois do atropelamento mortal de uma menina de 12 anos.

      • Lcrg says:

        as passadeiras até concordo mas, e pelo que vejo diariamente, pois passo por lá à hora da saída e da entrada dos alunos, verifico que mais de 90% não passa nas passadeiras e até acha que aquilo está "fatelo"(!?). como condutor parece-me um pouco descabido tantas lombas… é que, e segundo a lógica dos atropelamentos, em cada passadeira uma lomba … ou um polícia a multar quem não para nas passadeiras ou quem não as utiliza para lá atravessar a estrada! Parece-me que há algo que tem de mudar… e a localização da escola é impossível, mas fazerem daquilo um sobe e desce constante é absurdo quando os alunos que lá frequentam o estabelecimento de ensino não utiliza a passadeira e mais! os pinos que lá estão a sinalizar a via pública já estão a ser alvo de vandalismo!

  11. Ligado a esta temática do cumprimento das promessas / projecto Alta de Lisboa, deixo também uma nota de atenção àqueles que estão a chegar agora à Alta de Lisboa sobre o IMI.
    Reclamem da avaliação das Finanças pois em condomínios como o S Gonçalo, Jardins S Bartolomeu e Condomínio do Parque os índices de valorização são os mesmos que os aplicados na Expo.
    Façam valer os vossos direitos, pois considerar de igual valor a EXPO a um local sem infraestruturas e rodeado de realojamento como a Alta de Lisboa é no mínimo assustador! Afinal de contas qual a razão para pagar 850 euros / ano por um T3 nos jardins S Bartolomeu?
    Partilhem a vossa experiência junto das finanças para que se faça também justiça fiscal por aqui.
    Obrigado

    • pmd says:

      Daniel, conseguíu que que lhe fizessem a reavaliação?
      Eu telefonei para a linha telefónica da DGCI e foi-me dito que de acordo com a lei deverá ser feita uma reavaliação cada 3 anos e que devia falar com a Repartição de finanças (Lisboa 11). O meu T3 foi avaliado em cerca de 210 k€ mas no simulador do e-finanças deu-me 152 k€. Ainda não telefonei para Lisboa 11 porque tenho mais 2 anos de isenção e não tenho sido muito proactivo, mas se calhar é uma boa altura para pedir a reavaliação.

  12. moradora says:

    A Expo agora é melhor que a Alta?
    Deixem ver porquê:
    Porque cheira a lodo nas horas de maré baixa!
    Porque os realojamentos são um pouco mais distantes, mas os índices de criminalidade são mais altos!
    Porque queremos estacionar um carro e é virtulamente impossível!
    Porque tem algumas zonas verdes pequenas cheias de gente!
    Ah, sim tem um Centro Comercial, um Casino e um Museu.
    Têm razão devia pagar menos IMI na Alta!

  13. Pedro Veiga says:

    O pior de tudo isto é que o valor patrimonial está a subir todos os anos. O meu T3 na C. S. Gonçalo subiu cerca de 9000 euros de um ano para o outro. Actualmente já vale nas finanças cerca de 179 000 euros! Isto é um maná financeiro para a CML!!!

    • alexandram says:

      Boa tarde,

      Diz que as casas da Colina não se vendem actualmente por mais de 160 000 euros… A SGAL tem agora T2 à venda na Colina S. Gonçalo por 165 000 euros ("preço de campanha"). De facto não encontrei nenhum com valor mais baixo e estou mesmo a pensar adquirí-lo. Acha que é muito caro?

      Obrigada

  14. pmd says:

    do Publico de hoje
    "Anteontem, a autarquia fixou o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) em 0,7 por cento para os edifícios com matrizes actualizadas e em 0,35 por cento para aqueles cujas matrizes não foram reavaliadas, chumbando uma redução proposta por Ruben de Carvalho (CDU). "Havia condições para aliviar a pressão sobre as pessoas", considerou este responsável, lembrando que "a receita do IMI tem vindo a crescer sempre" – passando de 87,6 milhões em 2007 para 100,82 no ano seguinte. A sua proposta para baixar as taxas para 0,6 e 0,3 foi rejeitada por todas as outras forças políticas, mas a coligação que o elegeu fez saber que continuará a defendê-la na assembleia municipal."
    http://jornal.publico.clix.pt/noticia/13-11-2009/…

  15. Pedro Veiga says:

    Atenção! Uma coisa é a percentagem correspondente ao imposto, outra é o valor patrimonial. Eles podem manter a taxa mas se o valor patrimonial aumentar, aumenta o imposto. Para além disso ainda existe o coeficiente da área onde está implantando, que é definido pelas finanças. Por isso, estes nossos "amigos" autarcas podem ter um discurso muito suave dizendo que as taxas não aumentam e no final, como se está a verificar, o aumento do IMI é significativo porque os apartamentos são valorizados em vários milhares de euros todos os anos. O valor patrimonial do meu apartamento aumentou no último ano cerca de 9000 euros!

    • pmd says:

      Mas pode protestar o valor da avaliação! Não é justo que o valor patrimonial aumente 9000 euros, quando o valor comercial dos nossos apartamentos tem estado constante ou baixou.
      E´claro que o avaliador aqui é parte interessada em aumentar o valor patrimonial porque vai acabar por cobrar mais ("87,6 milhões em 2007 para 100,82 no ano seguinte").

  16. WhiteRainbow says:

    É inútil contestar nas finanças sobre o IMI, se o coeficiente de localização não baixar nas finanças não consegues nada. O prédio é novo tem qualidade de construção e não tens muitos coeficientes que possas contestar. O caricato é que nas finanças actualizam o valor patrimonial do imóvel de 3 em 3 anos. Como se tivéssemos numa economia a crescer a um ritmo que justifique tal aumento. São as próprias finanças que promovem a especulação imobiliária e os preços altíssimos que se verificam em Lisboa. Caso vendas o apartamento por um preço abaixo do avaliado nas finanças tens de pagar tipo uma multa por o fazeres. Acima do preço pagas mais-valias mas isso é lógico. Outra coisa caricata que me aconteceu é que a SGAL vendeu-me o apartamento por X valor e nas finanças o apartamento esta avaliado por um valor mais alto. Logo tive que pagar mais IMT. Ou seja consigo encontrar um apartamento abaixo do valor de mercado e sou penalizado por isso. Pois devia ter pago mais pelo apartamento. Mas isso acontece porque a fuga aos impostos em termos imobiliários era e é brutal e quando se vive num pais que tudo vale para não cumprir criam-se leis que levam todos na frente.
    Quanto ao IMI propriamente dito nos últimos anos houve um aumento sem precedentes a rondar os 200% (noticia publico já de alguns tempos) e quem se lixa mais é quem tem os prédios avaliados pós 2004. Até agora as pessoas estão mais ou menos isentas mas temos que nos preparar para pagar cerca de €400 a €1000 por casas de classe média ou seja por nada de especial e luxuoso. E quem tem os prédios avaliados antes de 2004 paga uma ninharia pois a avaliação é ridícula. Ou seja você pode ter uma apartamento e pagar cerca de €350 (trezentos e cinquenta euros) e o seu vizinho do lado direito ter um apartamento igual mas como é avaliado antes de 2004 paga cerca de €35 (trinta e cinco euros). O que na minha opinião é inconstitucional visto que na constituição, "Artigo 104.º 3. A tributação do património deve contribuir para a igualdade entre os cidadãos." O que é mentira nesta nova lei. Além disso a habitação é um bem essencial, e toda a gente tem direito à ter uma habitação. E uma habitação ao ser construída não polui tanto como um automóvel e é muito mais tributada que um automóvel que não é um bem essencial.
    Depois há outro ponto no IMI, todos os anos em assembleia municipal se votam as taxas de IMI a aplicar pelos municípios. Salvo raras excepções os prédios avaliados pelo novo IMI tem uma taxa de 0,35 (máximo é de 0,4) ora se fosse o mínimo seria 0,2 o que dava para ter uma redução final no IMI de cerca de €150 a €200 anuais. É um imposto brutal e cego pois não olha ao rendimento individual das famílias.
    É bom que as pessoas tomem consciência desta realidade pois mais tarde ou mais cedo vamos ter um imposto bem grande nas nossas carteiras
    Espero ter contribuído de alguma forma para esta discussão e espero não ter chateado ninguém pois como é o meu 1º post não era bom!

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