A insustentável “leveza” do trânsito automóvel

14 October, 2009 by  

O automóvel, símbolo das sociedades modernas, é cada vez mais um obstáculo nas cidades. Lisboa não foge à regra e a Alta de Lisboa é disso um exemplo bem patente no dia a dia. Devido às obras que estão a decorrer relacionadas com a construção do eixo central, a Alta de Lisboa atravessa dias complicados no horário de ponta matinal dos dias úteis. As ruas Octávio Pato e Eduardo Covas, que estão a substituir há largos anos a avenida Santos de Castro inacabada, são palco de filas de trânsito intermináveis e irritantes para quem tem que aturar o sucessivo pára-arranca. Com veículos pesados à mistura (de passageiros e de mercadorias) o cenário é ainda mais carregado.

Sabe-se que estão obras em curso, sabe-se que existem duas grandes avenidas da Alta (Carlos Paredes e Krus Abecassis) que foram cortadas para construir a infra-estrutura de esgoto do eixo central. Todavia, não se sabe o tempo que estas obras vão durar e o pior é que estas duas grandes avenidas já estão cortadas desde meados de Agosto. Mais, não se pensou em alternativas para o transporte público. Com tanto terreno ainda livre não se podia ter criado uma via exclusiva para transportes públicos e veículos de urgência? Não haverá nenhum cérebro nas equipas responsáveis por estas obras capaz de perceber o mau serviço diário destas vias na Alta de Lisboa? Se não há que contratem alguém! Contratem algum crânio formado no estrangeiro, nalguma universidade de prestígio internacional para propor uma boa solução para este calvário diário.

Enquanto as obras não terminam lá vamos andando todos os dias enfiados nestas ruas cheias de veículos e de poluição. Isto é sustentável? Temo que não!

Comments

6 Responses to “A insustentável “leveza” do trânsito automóvel”
  1. É curioso que a maioria das pessoas que vive na Alta não usa os transportes públicos disponíveis. Não existem? São maus? Balelas. Podiam ser melhores, podiamos ter melhores acessos ao metro, podiamos até ter uma estação junto ás nossas casas…
    Confesso que actualmente não posso usar transportes publicos, com muita, mas mesmo muita pena, nas deslocações regulares para o trabalho. O escritório está fora de LX e praticamente todos os dias vou para sítios diferentes. Sempre que vou à "cidade" durante o dia, lá vou eu de metro. A minha mulher usa todos os dias autocarro + metro. Está contentíssima. Nem todos podem, mas se aqueles que podem o fizerem, estou convencido que o trânsito reduzir-se-á. Que saudades que tenho de quando trabalhava no centro, meu rico metro…
    Estará a causa na fraca opinião sobre os transportes públicos, ou não nos queremos misturar com aqueles que não têm alternativa? Será o transito caótico apenas porque os acessos são maus? Ou poderia cada um de nós evitar mais um carro na rua à hora de ponta?

  2. Nuno says:

    Luís, subscrevo totalmente as suas plavras. O carro continua ser um "mal necessário" mas pode ser em muitos casos evitado. Serão os transportes públicos maus ou seremos "comodistas"? Resido em Lisboa mas não sou natural daqui. E fico sempre arrepiado qunado dizem que os transportes públicos são maus. Isso para mim é uma desculpa para o comodismo. Comparando com outras cidades portuguesas os transportes públicos de Lisboa (incluindo os da alta) são excelentes. Inclusivé comparando com outras cidades europeias.
    Já pensaram ir de bicicleta até ao metro e depois "comutar"? Já pensaram ir a pé até ao metro? Já pensaram ir de autocarro?

  3. Pedro Veiga says:

    O ridículo é morar potencialmente a 10 minutos a pé de uma estação de metro (Ameixoeira), como é o meu caso e, por incrível que pareça, temos que usar o carro ou o autocarro para lá chegar, aturando nas horas de ponta grandes engarrafamentos! E porquê? Porque simplesmente os nossos fazedores de cidade só pensam, repito, SÓ PENSAM no automóvel particular. O peão, o utilizador do transporte público ou o ciclista que se lixe! E mais: desde que vim morar para a zona norte da Alta de Lisboa (desde 2005) os acessos provisórios, os remendos de estradas, multiplicam-se por mil mas ninguém pensa em criar percursos exclusivos para os transportes públicos! Quando ainda não era pai andava sempre a pé ou apanhava o autocarro para o metro e assim era menos um carro na confusão da hora de ponta. Agora, com o meu filho numa creche a cerca de 2 km de casa não tenho alternativa ao automóvel porque, simplesmente, o tempo de espera nos autocarros é tão longo e os engarrafamentos tão persistentes que não me compensa o tempo gasto!

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