Um mundo novo?
28 May, 2009 by Pedro
A discussão em torno da saúde do sistema político que começa agora em Portugal – serão os partidos um mal necessário à democracia, estará o sistema democrático em perigo se os mesmos forem destronados por movimentos de cidadãos, haverá vida democrática sem partidos? – começou há muito em alguns dos nossos parceiros europeus.
Talvez o exemplo mais presente seja o italiano, com a revolução de há alguns anos que levou à extinção ou apagamento de quase todos os partidos “do poder” e à simultânea emergência de novas formações. Dir-me-ão que a situação era expectável face ao carácter excessivamente parlamentar do sistema italiano e à quase impossibilidade de obtenção de maiorias monopartidárias. Talvez, ainda que, com políticos responsáveis e verdadeiramente apostados em colocar o bem comum acima dos seus interesses partidários e pessoais, tal não constituísse problema. Para mim, o cerne da falência do sistema partidário italiano – que não do seu sistema democrático – esteve no divórcio absoluto entre a classe política e a sociedade que o suportava. Avisos foram sendo dados por esta – o mais significativo terá sido o da candidatura e subsequente eleição da atriz pornográfica Cicciolina a um lugar de deputada.
Mais sinais deste cansaço têm sido dados pela Europa fora – a passagem à 2ª volta das eleições presidenciais francesas do ultra Le Pen, as vitórias do FPO na Aústria são exemplos recentes.
A Suécia – esse paraíso da social-democracia, do Estado-providência, do bem-estar e da abundância – estreia-se agora nesse movimento de recusa do tradicional modelo partidário. Segundo o i, um novo partido, inspirado no site de partilha de ficheiros The Pirate Bay e apropriadamente crismado Partido Pirata da Suécia, encontra-se em terceiro lugar nas intenções de voto. Significará isto que, ou toda a faixa etária dos 18 aos 30 anos resolveu apostar no mesmo partido ou a rejeição dos modelos sociais tradionais é transversal a toda a sociedade, encontrando eco na postura libertária e anti-sistema deste partido.
Estaremos perante manifestações ocasionais e muito localizadas ou serão estes sinais da revolução que por aí virá? Estará o sistema partidário, tal como o conhecemos, condenado a desaparecer nos próximos anos?
Em Portugal, tal parece ser a tendência. O resultado obtido há dois anos pelo Movimento Cidadãos por Lisboa e a tendência de voto revelada nas sondagens mais recentes são o exemplo, assim como a emergência de mais dois movimentos – o MEP e o MMS. As três eleições que se avizinham esclarecerão alguma coisa.



