A baixa da Baixa (I)
Passear pela Baixa é ter o coração apertado por tanto edifício em degradação, pelos metros e metros de áreas de habitação interditas, pelas barbaridades estruturais.
Devíamos surpreendermo-nos quando é o Estado a dar o (mau) exemplo?

Serviços Sociais do Ministério da Justiça e vidros partidos: deveriam rimar?
Este edifício e o seu contíguo

foram colocados em hasta pública pela Direcção Geral do Património.

Não sei o que mais deplorar: se o estado de profunda degradação a que o Estado deixou chegar propriedade sua (o que se vê não é produto dos poucos meses que se passaram desde a saída dos Serviços Sociais), se o valor pedido pelos imóveis.
Fazendo umas contas muito pela rama: no mínimo 6.125.00 € pela compra, mais cerca de 875.000 pelas obras (pelo estado de conservação aparente e pelas medidas de reforço sísmico, introdução de novas infraestruturas, substituição da cobertura, 300 €/m2 não me parece exagero), mais 30% para custos de gestão, taxas, impostos e margem, dão cerca de 9,1 milhões de euros de venda. Se considerarmos que as lojas renderão 1 milhão de euros restam 8,1 milhões para – será razoável pensar assim – no máximo 20 fogos (2 prédios x 5 andares cada). Pelas áreas de implantação, pode-se considerar que os apartamentos terão cerca de 100 m2 (no prédio maior de 230 m2) e de 70m2 (no prédio menor de 173 m2). Regras de três simples e arredondamentos, conduzem-nos a preços de 475 mil euros e 335 mil euros para cada uma das tipologias.
Um apartamento de 100 metros quadrados por 95 mil contos, sem garagem, serve para quem? Para uma pequeníssima minoria. Ou seja, não servirá os interesses comerciais dos investidores, atirando os imóveis parao 0 terciário ou… para mais um hotel. Às cavalitas da necessidade de fazer dinheiro, fica explícito o futuro que o Estado quer para a zona mais importante da cidade. E dele está a classe média excluída.



Excelente Post, Pedro.
Andava eu para aqui a pensar que a expeculação imobiliária vinha só de parte dos investidores comuns, quando afinal de contas é o Estado que a incentiva.
Não há minoria que aguente estes preços…